A sociedade, como constituída, não tem interesse e é desestimulada a crer em uma continuidade da vida após a morte.
O filho médium, por sua própria condição intrínseca, crê e percebe a continuidade da vida após a morte e que a morte, como pregada pela sociedade ocidental, não ocorre.
Tem-se, pois, uma continuidade de vidas, o que pode parecer um fardo às vezes pesado demais.
Os problemas não acabam? - perguntam alguns.
Então, encarnação após encarnação, voltarão os filhos ao sofrimento da terra, a enfrentarem os problemas que se resolvidos não foram, novamente se apresentarão?
Esse eterno sofrimento, não terá fim?
Onde se encontra o livre arbítrio, supremo dom humano, se não há a possibilidade de se escolher não mais problemas possuir, não mais se existir enquanto vida contínua?
Como podem os filhos ver, nessa continuidade de problemas, uma luz a que possam se apegar, para, simplesmente, continuar?
Essas perguntas são pertinentes e felicita-se aos filhos que pensam sobre os ensinamentos e se questionam sobre seus desencadeares. Porque é exatamente assim que se faz a evolução: com questionamentos, como já foi dito anteriormente, que quando satisfatoriamente respondidos devem cessar para que outros se apresentem e a continuidade ocorra.
Explica-se a sistemática da eternidade enquanto evolução. Realmente, os problemas se apresentam e se apresentarão em cada uma das encarnações, mas este fato, não leva, necessariamente a existência do eterno sofrimento.
O sofrimento não é obrigatório à evolução e que ele somente ocorre quando não há compreensão.
Assim, partindo-se da premissa básica e já explicitada, que a evolução não depende do sofrimento, resta desmontada a primeira hipótese de que não são todos os filhos, almas destinadas à eternidade da dor.
A evolução, quando devidamente compreendida leva ao prazer da encarnação, a emoção de cada nova descoberta, a realidade da beleza de novidades, como aos olhos de uma criança.
Então, a evolução não se torna mais dolorosa e sim, muito satisfatória.
Correto; mas mesmo após a compreensão da evolução como fonte de satisfação, ainda se tem a questão do livre arbítrio de uma alma, simplesmente não querer mais realizar encarnações.
Tomado o livre arbítrio como o poder de escolher as atitudes e não a reação de cada uma delas, tem-se que, a não reencarnação é possível.
Alias não só é possível como também ponto posterior à evolução.
Após as encarnações diversas, adquire-se um nível de conhecimento, que desnecessária se torna à reencarnação.
Fique-se, por ora, com a premissa de que, haverá um ponto em que a reencarnação como entendem os filhos, será desnecessária.
E o livre arbítrio está em seguir os passos para que se possa não mais reencarnar e também, não mais existir como espírito que, encarnação após encarnação, encontra a evolução.
O livre arbítrio aqui está na opção da continuidade como alma que novamente encarna e não na simples escolha que um espírito possui de reencarnar ou não (e arcar com as conseqüências de tal fato).
Ao realizar a evolução, ao cumprir os passos necessários, a reencarnação será desnecessária e não mais ira ocorrer, portanto aqui se encontra o livre arbítrio: na possibilidade de escolha pela evolução, para desnecessária ser a existência, na forma como conhecem os filhos.
Sabemos que este texto é complexo e será para muitos de difícil compreensão, por que exige um conhecimento pouco mais avançado da realidade Umbandista.
Mas que soe então como musica agora e que após, se faça compreender.
Importante, por ora, que entenda o filho o seguinte: a eternidade não é um fardo, a eternidade, enquanto realidade de encarnações seqüenciais não é o fim, mas um meio, o livre arbítrio igualmente na eternidade se encontra presente, porque mesmo após ela, se faz necessário.
“A eternidade não é eterna
Eterna é a evolução
Eterna é a bondade
Eterna é a felicidade.
Por que delas se faz a eternidade.
Bem aventurados aqueles que escolhem viver para sempre“.